Escrevo pensando em como, na sociedade moderna, os negócios tomaram à frente do bem-estar do indivíduo e da comunidade. Anda em tramitação na Câmara Municipal o projeto de lei para a cessão das ruas Orozimbo Machado e Ferrucio Astorri, no bairro São Vito, para uma das maiores produtoras de tecido esportivo da América Latina. A idéia da empresa é transferir seu Centro de Distribuição para Americana e, assim, facilitar seu processo de produção e distribuição de mercadorias.
A minha avó costuma contar que, quando chegou ao São Vito, há mais de 50 anos, para trabalhar em uma das tecelagens de lá, coincidentemente no mesmo local que a tal empresa hoje ocupa, tudo era de terra batida. Hoje, o bairro é um dos mais populosos e desenvolvidos de Americana e funciona como uma mini-cidade, com bancos, comércio, supermercados, farmácias e uma ampla rede de serviços.
A reclamação com o poder público do esquecimento com a comunidade do São Vito já é antiga. As ruas esburacadas já são rotineiras e o alargamento da Av. Paschoal Ardito ainda não saiu do papel. Por isso a proposta da empresa me parece um pouco leviana. Há de se levar em conta o já intenso fluxo de carros, caminhões e pessoas naquelas ruas, considerando a existência da Creche Curimã e da Escola Estadual Prof. Ary Menegatto nas redondezas.
O fechamento destas duas ruas implica num melhor remanejamento das ruas ao redor para não haver um afogamento das duas principais vias – Francisco Garbo e João Bernestein – que já apresentam também muitos problemas de trânsito em horários de pico e buracos a sumir de vista. Isso sem contar que um Centro de Distribuição significa mais caminhões e carretas dentro do bairro, o que por si só já é um fato questionável por inúmeras razões, desde segurança, tráfego intenso, poluição e uma série de fatores que me fazem pensar: se é um Centro de Distribuição, por que não construí-lo em uma região mais afastada da cidade e mais próxima das rodovias, facilitando, assim, o escoamento das mercadorias e não trazendo prejuízos para a comunidade?
*Texto escrito em 02/04/2009.
Em tempo: A doação de ruas foi feita, sendo até assunto do quadro “Proteste Já” do CQC. A iluminação dos pedaços de ruas cedidos continuam funcionando às custas da Administração Pública (leia-se impostos da população), até onde se sabe. As mudanças foram significativas para quem reside no bairro. Claro, porque o resto da cidade que não é afetado diretamente pelos agora rotineiros desvios necessários para driblar o impedimento das vias, acha que a Administração Pública tomou a atitude correta evitando a saída da empresa da cidade. Agora, tramita pela Casa outro projeto parecido: a doação de uma rua para uma tinturaria. Virou festa…