Não é nenhuma novidade as notícias sobre ataques de cães da raça pit bull nas páginas dos jornais. Vez ou outra esses acontecimentos tomam conta das páginas dos periódicos e deixam a população em alerta para os perigos que os cães dessa mal falada raça oferecem até a seus próprios donos.
Nunca concordei com essa visão de que os cães da raça pit bull sejam animais traiçoeiros, com sede de sangue e prontos para o ataque iminente e sem razão. Não sou veterinária nem profunda conhecedora da raça, mas a notícia publicada no O Liberal de 15 de setembro e repercutida em vários outros meios de comunicação me incomodou profundamente. Primeiro porque a matéria salienta que o cão em questão estava caquético e desidratado, confinado em um canil; depois que descreve como o cão foi “contido”: espancado com pedaços de pau e pedras e mais dois tiros de arma de fogo.
Ora, ninguém ataca um tigre a pauladas, por exemplo, e espera que ele não reaja de forma agressiva. Não é diferente com cachorros – de qualquer raça, não apenas os temidos pit bulls, que levam a fama de maus por terem um porte robusto e serem extremamente fortes. É bom salientar que ‘pit bull’ é um termo genérico que se refere a um conjunto de raças de cães, incluindo (mas não se limitando) ao American Pit Bull Terrier, o American Staffordshire Terrier e o Staffordshire Bull Terrier, e os cruzamentos entre essas raças.
Criado para ser um cão de rinha, a raça é uma das quatro mencionadas especificamente na Lei de Cães Perigosos de 1991, no Reino Unido (as outras três raças mencionadas são o Fila brasileiro, o Tosa japonês e o Dogo argentino). Criadores insistem em afirmar que cães da raça pit bull são dóceis, extremamente leais aos seus donos e são excelentes cães de companhia, inclusive de crianças. A agressividade não é natural da raça, sendo sempre associada a uma criação ruim. Segundo a American Temperament Test Society (ATTS), instituição que estuda e avalia o temperamento e comportamento de milhares de cães de diversas raças, diante de situações variadas, pessoas diferentes, capacidade de avaliação e reação, instinto de proteção e agressividade, o American Pit Bull Terrier tem um dos maiores índices de aprovação, estando dentre os mais dóceis e menos propensos a atacarem uma pessoa, ficando inclusive a frente de Collies, Cockers, Pastores Alemães, Golden Retrievers e Dálmatas.
A verdade é que, assim como qualquer outra raça e qualquer outro animal de estimação, os pit bulls são reflexos de seus donos e tem a educação que lhe foi dada. Precisam de atenção, espaço, exercícios, cuidados e afeto, como qualquer outro ser vivo. É necessário que as pessoas compreendam que, antes de adquirir um animal de estimação, avaliem as características da raça e as necessidades para sua criação, além de se informarem quanto à origem do animal, para que fatos como esses parem de se repetir e os cães parem de levar a culpa pela irresponsabilidade humana.
*Artigo publicado no caderno de Opinião do jornal O Liberal de 16/09/2009.