“Mude“
Edson MarquesMas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.
Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.Só o que está morto não muda !
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Você já teve dias de pensar como seria sua vida agora se suas escolhas tivessem sido diferentes?
Você já imaginou como seria se na escola você invertesse os papeis – ao invés de nerd, ter sido bagunceiro; ao invés de popular, tivesse sido recalcada; ao invés da turma do fundão tivesse escolhido sentar na primeira carteira?
Você já pensou como seria se você não tivesse continuado a ser amigo dos seus fieis companheiros de hoje; se não tivesse brigado com aquela sua melhor amiga da 5ª série; se não insistisse em conversar com aquela menina que nem ligava muito pra você a princípio?
Se você não tivesse morado na mesma casa há tantos anos; se tivesse morado em várias casas, em várias cidades diferentes; se tivesse cultivado aqueles ‘amigos da rua’ ou se tivesse chamado aquele vizinho novo para brincar também?
E se você tivesse estudado a vida inteira no mesmo colégio; ou mudado de colégio várias vezes?
Você já imaginou qual faculdade teria feito se não tivesse escolhido a que você cursou? Se ao invés de jornalismo fosse medicina; se ao invés de engenharia fosse psicologia; se ao invés de economia fosse artes cênicas?
Se você não tivesse entrado nessa faculdade, mas naquela outra que você queria mais; se tivesse ido estudar longe da comodidade da casa dos pais; e se você tivesse alçado voos mais longínquos e fosse fazer uma faculdade no exterior?
Você já fantasiou como a vida seria se você tivesse beijado aquele carinha por quem você sempre nutriu uma paixão platônica? E se você não tivesse ficado com aquela menina que seus colegas insistiam em dizer que era feia e gorda, mas você respondia que ela era ‘gente boa’? E se você tivesse dito sim àquele pedido e negado aquele outro?
E se você tivesse pedido pizza ao invés de sanduíche? E de preferisse filmes de terror à comédias românticas? E de gostasse de heavy metal? E se você tivesse ido àquele lançamento, àquela loja nova, àquela festa, àquela sessão de cinema?
E vida é cheia de ‘e se’. E se você parasse de ficar imaginando e aproveitasse suas escolhas como caminhos próprios e, portanto, só seus? A vida seria melhor? Ou só diferente?
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Se tem uma coisa que me irrita é ser tratada como interiorana. Principalmente no trabalho. E leia-se “interiorana” como alguém sem formação, sem conhecimento técnico, geograficamente defasada, intelectualmente atrasada. Sim, eu sou interiorana, mas unicamente pelo fato de ter nascido em uma cidade do interior do estado, a ‘grande’ Americana, que tem estrelado o noticiário nacional pelos absurdos como doação de ruas a empresas e sinalização de trânsito em inglês – mas isso é assunto pra outro post.
O que eu quero que vocês, colegas da capital, saibam é que aqui no interior as coisas funcionam exatamente como aí – só que em outro ritmo e com mais qualidade de vida, claro. Não pego trânsito e tenho tempo de sobra pra fazer outras coisas além do trabalho – o que faltam são opções, mas isso também são outros quinhentos.
Aqui também tem empresas, tem grandes marcas, tem imprensa, tem jornal diário, tem rádio e tevê, tem shopping, tem cinema, tem internet, tem stress… E pra quem trabalha com comunicação empresarial as coisas também funcionam da mesma maneira – press releases, sugestões de pauta, press kits, entrevistas, atendimento à imprensa, gerenciamento de crise, clipping, e tantos outros produtos que existem na capital, no interior e em qualquer outro lugar do mundo.
Claro que cada lugar tem suas especificações, suas peculiaridades, seu jeito de lidar com as pessoas. Mas as técnicas são exatamente as mesmas. E me irrita absurdamente quando algum colega de alguma empresa bam-bam-bam da capital precisa da minha ajuda para produzir um evento com a imprensa local, e insiste em pensar que entende disso mais do que eu. Pior – acha que eu fico aqui só esperando ele precisar de mim, pois eu não tenho mais nada pra fazer além de atendê-lo prontamente. Ele deve achar que o tempo passa diferente aqui… as bolas de feno rolam solta pelas ruas quase desabitadas… os cavalos tomam água nas cocheiras das casas…
Para quem não sabe, o interior paulista é altamente industrializado, possui uma economia bastante forte e diversificada, e boa infra-estrutura, sendo um grande pólo de atração de investimentos no país. É uma das regiões mais ricas da América Latina e ¼ do PIB do interior paulista se concentra na Região Metropolitana de Campinas, que é constituída por 19 municípios, entre eles Americana.
Então, por favor, dêem mais créditos ao interior e aos interioranos.
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PRIMAVERA
Cecília Meireles
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
[Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.]
Bem vinda 25ª primavera…e 25º INFERNO ASTRAL…
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Excelente campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de
Imprensa).
Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
E vilões.
Este, juiz, é corrupto.
Este juiz é corrupto…
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo.
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Não é nenhuma novidade as notícias sobre ataques de cães da raça pit bull nas páginas dos jornais. Vez ou outra esses acontecimentos tomam conta das páginas dos periódicos e deixam a população em alerta para os perigos que os cães dessa mal falada raça oferecem até a seus próprios donos.
Nunca concordei com essa visão de que os cães da raça pit bull sejam animais traiçoeiros, com sede de sangue e prontos para o ataque iminente e sem razão. Não sou veterinária nem profunda conhecedora da raça, mas a notícia publicada no O Liberal de 15 de setembro e repercutida em vários outros meios de comunicação me incomodou profundamente. Primeiro porque a matéria salienta que o cão em questão estava caquético e desidratado, confinado em um canil; depois que descreve como o cão foi “contido”: espancado com pedaços de pau e pedras e mais dois tiros de arma de fogo.
Ora, ninguém ataca um tigre a pauladas, por exemplo, e espera que ele não reaja de forma agressiva. Não é diferente com cachorros – de qualquer raça, não apenas os temidos pit bulls, que levam a fama de maus por terem um porte robusto e serem extremamente fortes. É bom salientar que ‘pit bull’ é um termo genérico que se refere a um conjunto de raças de cães, incluindo (mas não se limitando) ao American Pit Bull Terrier, o American Staffordshire Terrier e o Staffordshire Bull Terrier, e os cruzamentos entre essas raças.
Criado para ser um cão de rinha, a raça é uma das quatro mencionadas especificamente na Lei de Cães Perigosos de 1991, no Reino Unido (as outras três raças mencionadas são o Fila brasileiro, o Tosa japonês e o Dogo argentino). Criadores insistem em afirmar que cães da raça pit bull são dóceis, extremamente leais aos seus donos e são excelentes cães de companhia, inclusive de crianças. A agressividade não é natural da raça, sendo sempre associada a uma criação ruim. Segundo a American Temperament Test Society (ATTS), instituição que estuda e avalia o temperamento e comportamento de milhares de cães de diversas raças, diante de situações variadas, pessoas diferentes, capacidade de avaliação e reação, instinto de proteção e agressividade, o American Pit Bull Terrier tem um dos maiores índices de aprovação, estando dentre os mais dóceis e menos propensos a atacarem uma pessoa, ficando inclusive a frente de Collies, Cockers, Pastores Alemães, Golden Retrievers e Dálmatas.
A verdade é que, assim como qualquer outra raça e qualquer outro animal de estimação, os pit bulls são reflexos de seus donos e tem a educação que lhe foi dada. Precisam de atenção, espaço, exercícios, cuidados e afeto, como qualquer outro ser vivo. É necessário que as pessoas compreendam que, antes de adquirir um animal de estimação, avaliem as características da raça e as necessidades para sua criação, além de se informarem quanto à origem do animal, para que fatos como esses parem de se repetir e os cães parem de levar a culpa pela irresponsabilidade humana.
*Artigo publicado no caderno de Opinião do jornal O Liberal de 16/09/2009.
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Escrevo pensando em como, na sociedade moderna, os negócios tomaram à frente do bem-estar do indivíduo e da comunidade. Anda em tramitação na Câmara Municipal o projeto de lei para a cessão das ruas Orozimbo Machado e Ferrucio Astorri, no bairro São Vito, para uma das maiores produtoras de tecido esportivo da América Latina. A idéia da empresa é transferir seu Centro de Distribuição para Americana e, assim, facilitar seu processo de produção e distribuição de mercadorias.
A minha avó costuma contar que, quando chegou ao São Vito, há mais de 50 anos, para trabalhar em uma das tecelagens de lá, coincidentemente no mesmo local que a tal empresa hoje ocupa, tudo era de terra batida. Hoje, o bairro é um dos mais populosos e desenvolvidos de Americana e funciona como uma mini-cidade, com bancos, comércio, supermercados, farmácias e uma ampla rede de serviços.
A reclamação com o poder público do esquecimento com a comunidade do São Vito já é antiga. As ruas esburacadas já são rotineiras e o alargamento da Av. Paschoal Ardito ainda não saiu do papel. Por isso a proposta da empresa me parece um pouco leviana. Há de se levar em conta o já intenso fluxo de carros, caminhões e pessoas naquelas ruas, considerando a existência da Creche Curimã e da Escola Estadual Prof. Ary Menegatto nas redondezas.
O fechamento destas duas ruas implica num melhor remanejamento das ruas ao redor para não haver um afogamento das duas principais vias – Francisco Garbo e João Bernestein – que já apresentam também muitos problemas de trânsito em horários de pico e buracos a sumir de vista. Isso sem contar que um Centro de Distribuição significa mais caminhões e carretas dentro do bairro, o que por si só já é um fato questionável por inúmeras razões, desde segurança, tráfego intenso, poluição e uma série de fatores que me fazem pensar: se é um Centro de Distribuição, por que não construí-lo em uma região mais afastada da cidade e mais próxima das rodovias, facilitando, assim, o escoamento das mercadorias e não trazendo prejuízos para a comunidade?
*Texto escrito em 02/04/2009.
Em tempo: A doação de ruas foi feita, sendo até assunto do quadro “Proteste Já” do CQC. A iluminação dos pedaços de ruas cedidos continuam funcionando às custas da Administração Pública (leia-se impostos da população), até onde se sabe. As mudanças foram significativas para quem reside no bairro. Claro, porque o resto da cidade que não é afetado diretamente pelos agora rotineiros desvios necessários para driblar o impedimento das vias, acha que a Administração Pública tomou a atitude correta evitando a saída da empresa da cidade. Agora, tramita pela Casa outro projeto parecido: a doação de uma rua para uma tinturaria. Virou festa…
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